quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Passeio Noturno pelo Flamengo

Esgotado, o garoto havia dormido toda a tarde e boa parte da noite, sua vida estava esgotada, seus olhos cansados, foi um descanso bem merecido.
Acordado em meio ao caos decorrido de seu esforço com as maquetes da faculdade, ligou a sua TV, novelas, logo ia passar um filme repetido na globo, foi assim que ele esgotado, resolveu sair.
Noite fresca com 20 graus, já era 22 e 30, parou em frente a uma casa de sucos, pediu uma vitamina desconhecida, que se rotulava simplesmente “mista”, aparentemente uma mistura de diversas frutas com beterraba e algo a mais. Ainda com sede pedira algo que lembrava infância: banana com farinha láctea, o mesmo filme passava no lugar, mas ele estava disperso observava as pessoas daquele lugar, um trabalhador cansado, um senhor indiferente, um musico também cansado.

Foi assim que resolveu sair, desta vez sem rumo, ele não queria voltar para seu apartamento vazio, não queria voltar para seu caos particular, também não estava disposto a voltar e ter que estudar todos os demônios que o aterrorizariam na prova do dia seguinte.
Pois então seguiu, entrou na travessa dos tamoios, a rua estava vazia, exceto pelo botequim que tocava um samba ao vivo.
Passou por um prédio Art Decó de suntuosa fachada em mármore e logo ele já estava na Senador Vergueiro, em frente tinha o restaurante Oklahoma com o filme repedido da globo e com pouco movimento, ao lado o antigo cine Paissandu, ainda fechado, não muito longe havia também uma propaganda de uma candidata a vereadora derrotada por 122 votos, chegando na rua Paissandu, grandes palmeiras, lojas fechadas, garota do flamengo(exatamente igual aos outros bares que mudam de nome dependendo lugar, de garota de Ipanema, até garota da penha).mais próximo do aterro havia o hotel Paysandu, em estilo Art decó tão presente neste bairro, quantas historias não deveriam ter acontecido ali.


Voltando para a Marquês de Abrantes, vários prédios dos anos 40,50, com fachadas ora belas com mármore a mostra, ora simplórias, com comercio em baixo do prédio.
Na Praça José de Alencar com o fantástico bar Devassa na esquina, olhou por detrás de suas plantas decorativas, seria alguém conhecido? Não, não para ele, são só dois meses nesta cidade.
Atravessara a rua, que outrora era o leito do rio carioca, naquele trecho rio catete, lembrado na Praça José de Alencar, onde pende uma escultura e bronze que homenageia essa figura histórica, na outra esquina uma igreja metodista de pedra, da época que ainda passava o rio ao lado (130 anos).
Manuel e Joaquim, outro bar tradicional, também na José de Alencar, seguindo após a praça, a Rua Marques de Abrantes vira Rua do Catete, e saindo de um local que homenageia um grande escritor, nos deparamos com outro:Rua Machado de Assis, árvores e prédios antigos.
Cada passo dado á seguir era um passo pela não cidade, a cidade humanizada de dia se desumanizava de noite, os bares se tornavam esparsos, e as ruas que de dia servem de passagem, são de noite também moradia.
A seguir se avista o Largo do Machado, com sua bela igreja eclética de inspiração neoclássica com colunas gregas, no centro da praça, barraquinhas da feira do livro fechada, e quão gostoso é passear pela feira, que no dia anterior teve como trilha sonora música dos Beatles e artistas expondo suas obras.

Ele então resolveu entrar na ultima galeria aberta, A galeria São Luiz tem um aspecto de mini-shopping, ar condicionado e bons restaurantes dentro, as demais lojas, todas fechadas, mas exibindo suas vitrines iluminadas.
No pavimento superior o tradicional Cine São Luiz (ao lado uma foto de seu passado exuberante), exibindo grandes filmes “blockbusters” americanos (com um outro filme nacional).
E ao lado uma agradável livraria (também fechada, com ótimos livros e algumas obras artesanais interessantes, como pequenas caixas, demonstrando o Rio de Janeiro no período de Debret.
Do lado de fora, o garoto avistou um cenário futurista, era o espaço Oi futuro, com seus fundos determinados em um caixote recortado e feixes de luz azul saindo pelas suas frestas, determinadas talvez por um traçado regulador, ou pela seqüência de Fibonacci.

Ele resolveu se aproximar daquele lugar, entrou na rua dois de dezembro, passou por 2 botequins agradáveis e ali estava de frente para o antigo prédio da companhia telefônica brasileira, na parte da frente um prédio eclético antigo, na parte de atrás arrojada construção com feixes luz azul brotando por linhas desordenadas ora cortadas por grandes janelas de vidro.
Curiosamente combinavam com o prédio em frente, que apresentava os primeiros andares ecléticos e os últimos 3 andares em estilo contemporâneo(Dois de Dezembro,52).
Ao lado da Oi futuro ele viu a sede da IAB, interessante ele fazer arquitetura e nem conhecer o prédio.

Ao chegar na rua do catete, a volta ao passado casarios do século xix em estilo eclético,
Lojas em baixo fechadas, ruas eram vazias e escuras, um vila simpática adiante, uma banca aberta e mais nada, era hora dele voltar.
Era hora dele voltar para seu mundo, para a bagunça de seu quarto, para seu dedo cortado e enfaixado, para seus estudos, para suas preocupações ,para a sua vida.

3 comentários:

Clarissa disse...

oieeee
adorei as fotos...
=]
adoro fotos!!
ahuahuahuahauh
gostei do texto tb...
bjooos

Guilherme Damasceno disse...

É bem assim mesmo... a gente às vezes tem que voltar pra realidade, pq essas fugas não nos levam a lugar nenhum (ou levam, né :D)

abraço! saudades

helo disse...

olhaa que menino rebelde esse! sai pra rua sozinho q perigo!!
rsrsrs
e coisa feia.. ameiii demais o textooo.
q vontade de ir ai anda assim tbm...ver coisas interesantes ou pelo menos comer banana com farinha!! rsrsrsr ... ta dificil fugir da realidade aqui viu
saudade treeemmm
bjooo